abre a tua alma e crescer-te-ão asas

não me queria levantar... tu seguias o caminho e eu não te acompanhava.

tinha esperança que fosse tudo um pesadelo
que iria acordar nessa manhã e tu não estarias a meu lado,
nesse teu recanto da cama,
e iria encontrar-te serenamente a beber o teu café com umas folhas em que desenhavas
para mim

como quase sempre fazias antes de voltares para o leito

esse em que agora te penso, so

'words unspoken'

sorri... chorei... dei-me!
como ja não me lembrava de o fazer!
Partiste... nessa tua viagem em que sinto estar e pertencer.
continuo a sorrir com esta pequena dor de nunca te ter abraçado


(não te falando em voz)
Estou assim já há algum tempo, nesta inércia que afoga. uma impotência do vazio, este que a caneta não consola.
Sussurra-me enquanto durmo.
Um dia disseste-me que adoravas os sons do sono, do meu a teu lado.
Surpreendi-te depois de nos despedirmos… Se soubesses como as palavras enganam!...
E cruzamo-nos dias (muitos!), horas (inúmeras!) depois desse teu adeus
sorridente e silencioso.

já não eras como te recordava… estás mais velho, ainda mais belo…

e deixei-me perder nesses teus lábios de mel.

Encontramo-nos num olhar

Deslizamos a alma pelo prazer do saber sentirmos a beleza penetrar o horizonte

Deixamo-nos contemplar pela solidão de nos ouvirmos

As palavras tornaram-se as do vento que nos sorri

Distante, no meu olhar e ausência…

o espaço na alma
dormente de dor e angústia,

envolvente de ti.
mais um tiro no escuro

nessas ondas que invadem de sal o rosto desolado

ausento-me numa procura de mim
tentando tatuar uma flor sobre as feridas

(desalento dorido que se me abateu agora)

quem disse que temos que amanhecer

não és naturalmente só
e eu… nenhuma dessas imagens


todos os dias reconfiguro parte de mim para que o meu silêncio fale. mas talvez não deva falar pois a todos nós um dos sentidos falta. entendemo-nos, entre uma ausência e um excesso, em momentos de ardência em que te senti, compreendi, desnudei. nunca esses momentos deixaram de ser apenas momentos e acabamos por não nos conhecer, partilhar, destilar nesse sempre.

«Adeus meu amor»

nesta lágrima tatuada em mim

Lembras-te?
‘Queria que esta lágrima rebentasse e jorrasse sorrisos’?

agora sei que não, não são sorrisos… é apenas um e uma lágrima
abraço-me e sinto-te em cada momento em que me olho ao espelho.
a angústia que me cortava desse tão só
esvaneceu com a moldura das palavras…

essas letras afincadamente desenhadas que te renasceram

e assim continuamos… esse sinuoso caminho de rectas que curvamos para nos perdermos de nós

ficar é tão mais duro que partir

e então fico-me… neste meu caminho sem linhas
nesta solidão curva
neste escavar sem fim.
onde me deixei ficar...




Dave Brubeck Quartet - Take Five
…da bruma surgidas, as ausências escritas


perco-me em pensamentos, descobertas (sentimentos empoeirados) que despontam quando vasculhamos por engano, por tropeção. A insatisfação aos dias, à caneta, ao papel, ao impulso, aos olhos que se fecham


ilusão dos gestos em palavras
tudo são espelhos
- os outros são um espelho de nos para nos
as palavras traem porque deixei de acreditar nelas



em mim a noite num manto de silêncio, calmo ausente de mim

e eu...

sem por(que)...



Portishead - Roads






sigo-me (em procuras)...


(Uma vivência em algumas -poucas ainda assim - horas tentadas em registos)

... nestas 'roads'

Disseste... Vai

O silêncio...

a compreensão normalmente existia...

tudo se foi...

Hoje, olho um ecrã
para te saber respirar
e nada mais retorna
(ou sera retoma??!!)

E continuo eu...
sentada na cadeira de trabalho
ao lado do real
a olhar o ecrã
(que me deixaste!)
que ja nada me diz...

a não ser...



FOSTE!!!









Obrigada
A baía parecia distante… como o continente que sabemos existir no horizonte quando contemplamos o oceano.
Placas que constante nos renovam a esperança – “Foz”. Porém deambulamos… deambulamos e cada instante nos faz parecer mais longe do que desejamos.
Está um dia de chuva que mais parece nevoeiro. Uma bruma que o Sol não acordou e que dá às coisas uma sensação de melancolia e história.
Perco-me em divagações sobre mim – vida e emoções. Instantes em que me abstraio e o tempo parece decorrer por si próprio… uma vida na voz entusiástica do vento.

Quis que me dissesses

« Tenho saudades »

Mas na tua voz,
essa que já não reconheço entre palavras
diálogos desprendidos de um telefone,
esse olhar distante que magoa em ausência presente.

Que te dizer senão

« Nada »

pois não percebeste ainda que ao fazê-lo te quero sentir perto…

Despi-me e vestiste-me com um casaco de Inverno
para que não acuse a falta do teu calor em pequenos gestos.

já não te penso…

já não tremo ou suspiro ao ver-te ou ouvir o
teu nome

Continua-se um percurso em que a realidade mata o sonho da ausência de tempo… memoráveis dias em que entrava no anoitecer sem temer o dia.


Soltaram-se as amarras
que nos prendiam

o sonho que o pedestal
sustentava
ruiu quando as minhas mãos
- velas –
se apagaram
com a tua ausência.

caminho agora na berma de um rio
que outrora vimos extinto
e agora perece calmamente.



Fotografia de Cristiana Gaspar


Olhamos numa mesma direcção e depositamos nesse momento a nossa última réstia de esperança.

Fotografia de Cristiana Gaspar

e a olhar-te deixei-me levar em monologos de espelhos,
ao som da noite contemplada num telhado duma cidade

Carta


Fotografia de Cristiana Gaspar

e saberas o que sentes
quando na soleira da porta encontrares uma carta...
ternamente depositada

Fotografia de Cristiana Gaspar (Porto)


escrevo com a ausência de ter... do sentir... lembranças que nos assolam e desesperam

em silêncio...


Fotografia de Cristiana Gaspar

Uma brisa de Verão

Encontramo-nos um dia após desencontros, receios marcadamente tímidos de um "Quero-te".
Falamos horas e horas, trocamos os eus numa partilha, "ferimo-nos" quando calmamente pedíamos mais!
Caminhamos entre montanhas... a noite então levantada saudava-nos e nos sem querermos ir.
Fomo-nos provocando com aromas e olhares... desejos que arduamente tentávamos conter desde um passeio, hoje distante, surpreendentemente surgido.

Beijei-te o pescoço mas queria os lábios que docemente olhava.
Paraste o carro e unimo-nos... nesse instante adicionamos uma flor ao ramo que entrelaçávamos.

Soltamo-nos e a brisa... a desse verão... sopra em mim.

Ainda agora vieste, nesse teu começo de encanto, e já te sinto longe.

Escolhas

"You have to choose in which side you are!"

E definitivamente escolho estar aí
do teu lado esquerdo.