abre a tua alma e crescer-te-ão asas

Derramei lágrimas de sol no teu dorso
esse refúgio ternamente desenhado em ti.
Tatuaste a minha alma de pétalas
quais semblantes de vida…


Instantes que se cruzam
breves notas de sons… desejos
suores trocados em beijos
Tão bela madrugada que abraçamos…
momentos que tornamos nossos
num olhar…
um abraço orgástico!... intensidade em cheiros.

Que estrela nos olhou ontem?
nevoeiro levantado qual manto de secretismo
movimento iluminado de beleza
que demos ao mundo.

Amor meu que me abraçaste!
caminhos que desenhaste!
completaste-me… toque suave dos lábios

pétalas

Exaspero..te..me

Exaspero…te…me

quantas memórias que se perdem
e nos desviam

quererá o império de esperanças,
tristes sonhos,
devastar-me com o seu conhecimento?!...

noite em que as surpresas se desenvolvem

desconheço a corrente que nos abraça
The Scream

Edvard Munch

Lena Gal, Um olhar poético
Quantas histórias se guardam
nas margens dum rio


Vigio as mais ternas lembranças da liberdade nos meus gestos e palavras
para que a flor que floresce nas minhas mãos não esmoreça


Fotografia de Cristiana Gaspar
Podia jurar que eras tu, do outro lado da rua. Nesse teu andar e sorrir, na tua ausência aparente de silêncio falado. Não ousei sequer olhar duas vezes para que a certeza não se tornasse absoluta ou a ilusão infundada. Quase todos os dias, como sempre o fiz desde que te vi pela primeira vez, te falo… sei que não me ouves… nunca ouviste e porque haverias agora?!...
Tudo se transforma… mas as verdades que te disse não. As tuas… não sei!, só tu (como sempre) as saberás.

Como te disse um dia: ninguém! E essa lágrima... não consigo saber o que contém.
virgindade de sonhos
nas lágrimas do Sol


Fotografia de Cristiana Gaspar
tão estranhamente não vieste...
nessa nossa ausência aguardei a voz, o olhar, a ternura e...

o vazio (ou seria apenas o meu?!) estava, estará, será

e digo... triste e penosamente...

adeus
Une petite histoire

Fotografia de Cristiana Gaspar
Gostava de poder destruir o telefone, a morada, o nome... mas nada disso faz sentido, pois não? Não te ira fazer desaparecer de dentro de mim. Não te irei esquecer ou jamais lembrar o teu nome e rosto...

Como custa pensar que erramos... quando no fundo é apenas uma não sincronização de personalidades.

Uma vez mais sinto-me nada... fazes-me sentir nada e no entanto... penso-te (mais do que isso!).

Desisto desse viver que me mostraste! O tanto que aprendi a teu lado!... e como o tanto é nada, e o silêncio mata.

Ai morri... nesse meu falar sem palavras.

'Nada sera como antes'... nem eu nem tu se um dia nos cruzarmos...

e este corte esta marcado..não de hoje mas desde o momento em que o reflexo no espelho não era o meu

Fotografia de Cristiana Gaspar


Como suspiros de sedução
numa roda viva de fogo segue
velho o sonho de um poeta



Sei que na manhã
me enfeitiçaste

mas na noite

refugio-me

e adormeço sob o leito
pura
verdadeira
EU…

Fotografia de Cristiana Gaspar
não me queria levantar... tu seguias o caminho e eu não te acompanhava.

tinha esperança que fosse tudo um pesadelo
que iria acordar nessa manhã e tu não estarias a meu lado,
nesse teu recanto da cama,
e iria encontrar-te serenamente a beber o teu café com umas folhas em que desenhavas
para mim

como quase sempre fazias antes de voltares para o leito

esse em que agora te penso, so

'words unspoken'

sorri... chorei... dei-me!
como ja não me lembrava de o fazer!
Partiste... nessa tua viagem em que sinto estar e pertencer.
continuo a sorrir com esta pequena dor de nunca te ter abraçado


(não te falando em voz)
Estou assim já há algum tempo, nesta inércia que afoga. uma impotência do vazio, este que a caneta não consola.
Sussurra-me enquanto durmo.
Um dia disseste-me que adoravas os sons do sono, do meu a teu lado.
Surpreendi-te depois de nos despedirmos… Se soubesses como as palavras enganam!...
E cruzamo-nos dias (muitos!), horas (inúmeras!) depois desse teu adeus
sorridente e silencioso.

já não eras como te recordava… estás mais velho, ainda mais belo…

e deixei-me perder nesses teus lábios de mel.