abre a tua alma e crescer-te-ão asas

Time After Time*

Melodia Orgástica

Iniciam-se suaves tons, tímidos de um saxofone. Esse beijo trocado entre receios, desejos, intimidades.
Um toque desenvolvido – ousam as mãos na descoberta.
Nesses 5min (e 40s) os instrumentos envolvem-se, dançam como os amantes. Uma sedução profunda, esse primeiro orgasmo, o rompimento, clamor altivo desse sopro…
Calma…3 minutos de profundo entendimento, essa conversa de instrumentos (corda, sopro..) – como encaixam bem os corpos desnudados, húmidos de prazer.
De entre as provocações, prolongamentos, é chegado o momento… explosão tão serena e calidamente abraçada. Gemidos uníssonos… orgasmo(s) de amor.
Os amantes em terna copulação pelas vastas ruas do desejo.



*Miles Davis ‘Live around the world’
(publicado inicialmente em Bebedeiras de Jazz)

Fotografia de Cristiana Gaspar

sob as estrelares luas que nos aquecem e recordam o sol que nos arrefeceu...

O que faltara para o ... conheço?!













Fotografia de Cristiana Gaspar


Náiade que dormes
no teu delicado leito

Embriagas a noite
com a tua beleza

Seres expelem-se na tua margem.




Criar um hospício
num espaço limitado
pelas coisas




José Clemente Orozco, frescos en el Hospicio Cabañas, Guadalajara, 1938-1940











Fingi...
como as imagens

como tu


(claro que a falta a pricipal imagem... virgindade(s) )
A vida como flocos de neve desenvoltos em espirais vertiginosas de angustias... sentir o chão num abraço. vem. gela-me o corpo em ardências de vida psicoticas formas néons corpos nus desejos

reinventa-me







percorri-te ao longo de
uma folha onde
delineava as linhas
do teu corpo
em soluçados traços
caligraficos


Abrasivas memorias
nos asfaltos da vida

e essas gotas de sal
humidamente
(es)correntes de mim






Graciela Pierangeli, Lagrima Azul
Rastejar até aos pés
da mais bela flor.

Beijar a terra
como que um perdão
se pedisse.

Toca-me.
Deixa-te flutuar no universo.

Ser criança
Sonho de voltar
A fuga sem destino
Estação
Clamoroso.
A mulher no trapézio

constante desafio
da morte

excitante atenuante
dos olhares

desejar a perpétua
ansiedade de uma queda

impenetrável ser
de divindades ocultas
e belas

num piscar de olhos
o escorregar ...

movimento lento

tríade de ambições

Quando não da... não da





independentemente do que queiram... façam... digam!

é assim...


tal como tudo pode ir além... inumeras vezes!
Esperava-te calmamente num cais à beira-rio...
a brisa primaveril soprava deambulando os cabelos - soltos, livres, longos - ondulantes castanhos

Folheava um livro envolvendo-me.
Por instantes tornei-me parte dele.

Tu, com o teu olhar em ausência, desfloraste-me a escuridão
- outrora luz-

e assim nos perdemos
Alba abraçada. memorias revisitadas. um tudo que agora é nada... e a imagem marcada na parede é turva, inquieta.
sofri-te
imaculei o olhar e pensar quando te levantaste e não te segui

de entre as folhas caidas revejo-me e revejo-nos
somos apenas folhas que se vão desprendendo ao sabor do vento
essa brisa que fala

ja derramei as lagrimas que tinha e nenhuma te tocou
espaços de todo um nada. sento-me numa espera dolorosamente solitária. nesse instante ainda te penso e questiono porque não estás. mas não seria diferente, pois não? tornar-nos-iamos dois seres frente-a-frente, silenciosamente sós ou forçadamente ausentes em casualidades







Já não consigo parar as gotas de água de uma fonte...
o que era só meu
pois no meu olhar estás







Fotografia de Cristiana Gaspar
Não estavas quando te chamei...
estranhamente não eras tu ao meu lado
quando sorri e chorei. Não quiseste a
minha partilha de mim.

VERDADE ... muda cega surda

'Esse beijo não significou nada!'