Mostrei o melhor de mim e não quiseste.
Despejei das gavetas o que tinha, escondido para não mais tocar, nas tuas mãos para que me encontrasses… me encontrar em ti, em mim.
Mudei para me poder olhar ao espelho… sei que o fui fazendo sem me aperceber mas ainda não suporto a imagem reflectida.
Abracei angústias por medo de viver, assim onde a razão me sufoca e o sentimento possui.
Que verdades e desafios encontram para que não se entreguem a este tão só?!?...
Deixei tudo o que vi e aprendi para trás onde um dia me deixei levar pela dor… a da saudade…de mim!
Queria o mundo… essa estrela que ilumina o sonho. Manhãs que nos abraçam, ocaso de ilusões. Será o dia a sobreviver à noite ou a noite ao brilho do dia?
Porque me chamas e atrais? Serei a Lua e tu o Sol? Talvez sejas a Terra e eu gravite em teu redor iluminando-te quando me chamas!…
... o quanto te desejei… Estradas que tornei curvas para te acompanhar. Flutuei no rio do sentir… adormeci no equilíbrio de uma cascata esquecida do mundo! Chorei as lágrimas que fizeram o mar… o vento fez-me ave.
Uma tatuagem de sentido… aquele que nomeias no espelho.
Abrimos as janelas da alma com a esperança de que o espírito se liberte.
Quebramos vidros
espelhos de um passado
com o sorriso da liberdade
Escondemos laços de lágrimas que derramamos na triste esperança de que sequem.
É tão estranho aquilo que recordámos
passos e gestos
o riso e prantos
por vezes expressões
momentos cúmplices
mundos que guardámos em nós
semelhantes diamantes que encontramos
A vida…
um tempo sem horas onde o espaço é nosso… aquele em que nos descobrimos, recriámos e nomeámos o mundo.
Que memórias restarão no fim desse tempo?!...
…os momentos em que verdadeiramente sorrimos… em que não existiam correntes e tudo éramos.
O sermos NÓS (o EU) e crescermos com a nossa história e aqueles que dela fazem parte.

vens?!...
pelas madrugadas sentidas. falas desenvolvidas no leito imagem 'transportada'. o sentir (-te)...
[pronuncia... te... esse não numa palavra e.. sermos nos e sempre, como antes (depois). em ignorâncias hipocritas e falsidades (se[/talvez/certamente] passados)... JAMAIS futuros mas ainda assim recordaveis...
abraça-me com o mero..Olhares-me
Ani revota...
demos as mãos e todos os olhos do mundo sobre nós. começamos por não falar e sorrimos apenas numa procura.. caminhámos e caminhámos encostas trilhos naturalmente desenhados para nós.
Era já Verão… os corpos cálidos de ardências. o sol em chama.. e para mim ainda era Primavera. ainda me sentia desflorar para o mundo, essa primeira vez como o choro. e chorei. no instante em que avistámos o que todos procuram incessantes cavaleiros. e só estávamos nós, na imobilidade do espasmo quase orgástico. e permanece ainda em mim uma marca desse momento…
de entre tímidas inocentes perguntas dum conhecer, um ritual que ousamos, apagamos o silêncio dos outros olhares do mundo e ficamos apenas eu e tu
(...)
(...)
Era já Verão… os corpos cálidos de ardências. o sol em chama.. e para mim ainda era Primavera. ainda me sentia desflorar para o mundo, essa primeira vez como o choro. e chorei. no instante em que avistámos o que todos procuram incessantes cavaleiros. e só estávamos nós, na imobilidade do espasmo quase orgástico. e permanece ainda em mim uma marca desse momento…
de entre tímidas inocentes perguntas dum conhecer, um ritual que ousamos, apagamos o silêncio dos outros olhares do mundo e ficamos apenas eu e tu
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mas esse espaço continua assim… despojos infiltrados na madeira que um dia luziu, nas estantes onde um dia um sorriso despontava pela grandeza que exalavam os livros pensamentos desse tempo… o tempo em que a altivez sobressaía dos poros… um inclinar ténue da cabeça ao sol, permitir o vento delinear em imensas linhas o contorno de um leve e sedutor sorriso, raiar impenetrável … sedução.
os olhos levemente cerrados dizendo « vem! ousa!».
todas as conversas em silêncios faladas, nesse estar ouvindo, os silêncios que a tantos assustam e eram assim… puros, verdadeiros, compreendidos. as palavras que tantas e repetidamente apenas foram afastando esse olhar soberanamente mel duns lábios que semblavam mover-se permanecendo assim… ávidos de sentir.
por uma vez a mala desfeita. roupas que permaneciam sempre no albergue do ir ousavam seguir o estádio do ‘aqui’ e assim confortavelmente penetravam os espaços julgados já libertos. numa ausência de espectros permaneciam…inteiramente ali.
(...)
mas esse espaço continua assim… despojos infiltrados na madeira que um dia luziu, nas estantes onde um dia um sorriso despontava pela grandeza que exalavam os livros pensamentos desse tempo… o tempo em que a altivez sobressaía dos poros… um inclinar ténue da cabeça ao sol, permitir o vento delinear em imensas linhas o contorno de um leve e sedutor sorriso, raiar impenetrável … sedução.
os olhos levemente cerrados dizendo « vem! ousa!».
todas as conversas em silêncios faladas, nesse estar ouvindo, os silêncios que a tantos assustam e eram assim… puros, verdadeiros, compreendidos. as palavras que tantas e repetidamente apenas foram afastando esse olhar soberanamente mel duns lábios que semblavam mover-se permanecendo assim… ávidos de sentir.
por uma vez a mala desfeita. roupas que permaneciam sempre no albergue do ir ousavam seguir o estádio do ‘aqui’ e assim confortavelmente penetravam os espaços julgados já libertos. numa ausência de espectros permaneciam…inteiramente ali.
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(um outro pequeno breve excerto...)
(...)
cigarros e beatas espalhadas, a visível decadência de um quarto que não conhecia a palavra limpeza há muito muito tempo… incontáveis horas, dias, anos… como a alma quando vagueia e se perde pois o caminho julgado contínuo se transformou em vida.
folhas vagamente escritas espalhadas pelo chão numa confusa noção de arrumação. Haverá melhor espelho da alma que o nosso refúgio? esse espaço que julgámos nosso, apenas e só nosso… e de alguém, alguém que nos surge (semblantes) com a chave de espaços que nem mesmo nós próprios sabíamos da sua existência? compartimentos toda a vida trancados por medos, traumas, receios, desejos, expectativas…?!? esse alguém a quem unicamente abrimos e destruímos os entraves, os muros, as protecções exaustivas, o ‘mau feitio’ deixado de parte… o sermos finalmente nós numa descoberta simultânea de ambos (e eu também de mim… )…?!?...
(...)
(breve excerto... )
cigarros e beatas espalhadas, a visível decadência de um quarto que não conhecia a palavra limpeza há muito muito tempo… incontáveis horas, dias, anos… como a alma quando vagueia e se perde pois o caminho julgado contínuo se transformou em vida.
folhas vagamente escritas espalhadas pelo chão numa confusa noção de arrumação. Haverá melhor espelho da alma que o nosso refúgio? esse espaço que julgámos nosso, apenas e só nosso… e de alguém, alguém que nos surge (semblantes) com a chave de espaços que nem mesmo nós próprios sabíamos da sua existência? compartimentos toda a vida trancados por medos, traumas, receios, desejos, expectativas…?!? esse alguém a quem unicamente abrimos e destruímos os entraves, os muros, as protecções exaustivas, o ‘mau feitio’ deixado de parte… o sermos finalmente nós numa descoberta simultânea de ambos (e eu também de mim… )…?!?...
(...)
(breve excerto... )
negra tristeza
entre infernos constantes gritos revoltas feitos
ja de tão longe os erros
se as lagrimas... de sangue dor angustia... impotência
pudessem...
ja de tão longe os erros
se as lagrimas... de sangue dor angustia... impotência
pudessem...
Time After Time*
Melodia Orgástica
Iniciam-se suaves tons, tímidos de um saxofone. Esse beijo trocado entre receios, desejos, intimidades.
Um toque desenvolvido – ousam as mãos na descoberta.
Nesses 5min (e 40s) os instrumentos envolvem-se, dançam como os amantes. Uma sedução profunda, esse primeiro orgasmo, o rompimento, clamor altivo desse sopro…
Calma…3 minutos de profundo entendimento, essa conversa de instrumentos (corda, sopro..) – como encaixam bem os corpos desnudados, húmidos de prazer.
De entre as provocações, prolongamentos, é chegado o momento… explosão tão serena e calidamente abraçada. Gemidos uníssonos… orgasmo(s) de amor.
Os amantes em terna copulação pelas vastas ruas do desejo.
*Miles Davis ‘Live around the world’
(publicado inicialmente em Bebedeiras de Jazz)
Iniciam-se suaves tons, tímidos de um saxofone. Esse beijo trocado entre receios, desejos, intimidades.
Um toque desenvolvido – ousam as mãos na descoberta.
Nesses 5min (e 40s) os instrumentos envolvem-se, dançam como os amantes. Uma sedução profunda, esse primeiro orgasmo, o rompimento, clamor altivo desse sopro…
Calma…3 minutos de profundo entendimento, essa conversa de instrumentos (corda, sopro..) – como encaixam bem os corpos desnudados, húmidos de prazer.
De entre as provocações, prolongamentos, é chegado o momento… explosão tão serena e calidamente abraçada. Gemidos uníssonos… orgasmo(s) de amor.
Os amantes em terna copulação pelas vastas ruas do desejo.
*Miles Davis ‘Live around the world’
(publicado inicialmente em Bebedeiras de Jazz)
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