abre a tua alma e crescer-te-ão asas

Um suspiro que lançamos ao vento

- imaginario solene que nos penetra
qual penumbra que sobre nos
se sobressalta




Vamos?!... Ficamos?!...
interessara no fundo qualquer ou alguma das questões?!? Desde que estejamos...
Liberto-me do que possamos ter questionado/duvidado... com um sorriso prendo-me onde e como estamos... um ficar nosso, de e para... e as perguntas, serão outras, noutros horizontes.



Perco-me... queres que me perca?!... sabes que a perder-me é em ti..para ti..
Se me sofrer queres que te sofra?! As duas lagrimas são tuas
aroma e sorriso
E que se perpetuem...
Amemo(s)...(nos) ... ao som do jazz...da musica que delineamos e nomeamos nossa!!
Vem!!! Sem questões!


aqui... batalhas travadas...amor
e como ainda doem as pedras
pulsam as lagrimas e aromas
Adoro-te em cada olhar
onde me perco
no complexo que abraças


Fotografia de Cristiana Gaspar
Antes de partires, ou melhor, voltares disseste-me
"credo di amarti"
De modo subtil e sem palavras ou discursos pedi-te que ficasses...
mas a tua vida à qual não pertencia aguardava-te.
Guardo em mim o teu sorriso tão puro, sereno, tímido...essa lágrima que nos olhos se formava num
"não posso..."
dá-lhe toda a tua alma, o que de melhor tens em ti – o teu amor.
Incondicional pureza de sentir contempla o espírito ao olhar
olhá-la e desejá-la
seduzi-la… suave mão que percorre o corpo sem nunca lhe tocar.
“Dás sentido à minha vida e existência. Acredito em ti e tudo te deposito. Um dia abrirás os olhos e vais-me amar.”
Tinha tudo o que os outros desejam e no entanto eras tu e só tu o motivo de acordar todos os dias… quem me fazia viver. Tudo o resto não passavam de fachadas e tu precisavas de mim… de alguém que te amasse e despoletasse em ti a vontade de novamente olhar e viver.
Parecia um crime não ver todos os movimentos, expressões do teu rosto. Sabia que me ouvias e sentias… o teu respirar acalentava-me a alma de certeza. O amor tudo desperta – abririas novamente os olhos permitindo-me a bênção de te voltar a ver dançar.
Não me cansava de olhar para ti e contar-te o que não podias ver. Fazer com que o mundo te tocasse enquanto descansavas.
Tinha presentes todos os teus simulados sinais… uma luz.
Atravessamos a estrada do excesso e o mundo… aquele de que te falava e do qual te escondeste… separou-nos.
Acordaste e não mais me permitiram olhar-te…
procuraste-me mas já não estava. Morri quando te despediste e nos olhos – espelho - vi que era para sempre.




foto web

Quero embeber-me de ti em ti
explorar-te… desenhar-te nas minhas mãos
saborear cada recanto que descobrir….
perder-me nos teus lábios marcadamente teus
que me conduzas em suspiros…
fôlego ardente sussurrado.
os corpos entrelaçados…
ardes em mim… sinto-te a percorreres-me
procura-me!
desejo ardente de te ter…
quero seduzir-te
(que caminhemos na humidade de um toque)

Sedáticas harmonias

o olhar é calmo… imponente…
exprime mais que as mais numerosas palavras.

O sonho confunde-se com a realidade… um beijo.
Ouço tambores e pianos
e caminho na sua direcção…

é a tua alma que dança com a minha
no cimo das árvores
como a criança que um dia construiu uma cabana nas folhas…
todos os dias o despertar no topo…
profundeza e altura distantes reflectindo o nosso rosto… a fusão.

Caminho por entre a Natureza
e, se nas gotas de chuva sentires a minha alma tocar-te
como pela mão do Sol
então possuis-me
e eternamente
a teu lado adormecerei e acordarei para o novo dia que contemplaremos.

Aperta-me no teu peito nu!
caminhos do mundo
como num sonho
navego no teu sorriso

A Natureza curva-se perante tal beleza

Amo-te…

de que serve a confissão quando a verdade é tão evidente?!...
música nos suspiros que partilhámos e nos permitimos
ondas de sons divinos…
alma ardente
que num feixe de luz
se consome num acto de amor
os corpos nus entrelaçados
(- bela imagem! )

pelas gotas… manifestações… tornámo-nos um
pelos teus cálidos suspiros perco-me na peregrinação de ti

Acredito que reinventei uma nova forma de vida na minha alma…
o mais belo poema… TU!

desenham-se madrugadas
enquanto o teu corpo se esconde

que farás se me habituar ao aconchego dos teus recantos?!...
se o meu corpo
- quando nos unimos –
não mais de perto de ti desejar sair?!...


o meu mais especial está em ti…
Olhamos numa mesma direcção
e depositamos nesse momento
a nossa última réstia de esperança.



Fotografia de Cristiana Gaspar

Soror Mariana Alcoforado

TERCEIRA CARTA (tradução portuguesa)

Que será de mim?....e que queres tu que eu faça?...

Vejo-me bem longe de tudo o que tinha imaginado!

Esperava que me escrevesses de todos os lugares por onde passasses; que as tuas cartas seriam mui extensas; que alimentarias a minha Paixão com as esperanças de ainda ver-te; que uma inteira confiança na tua fidelidade me daria alguma espécie de repouso; e que ficaria assim em um estado suportável, sem estrema dor.

Tinha até formado alguns leves projectos de fazer esforços que me fossem possíveis para curar-me, no caso de saber com certeza que me tinhas esquecido completamente.

A tua ausência, alguns toques de devoção, o receio natural de arruinar totalmente a pouca saúde que me resta por cansadas vigílias e tantas inquietações, a escassa aparência dá tua volta, a frieza da tua afeição e doa teus últimos adeuses, a tua partida fundada em frívolos pretextos, mil outras razões mais que boas e demasiado inúteis, pareciam prometer-me um auxílio assaz certo, se me viesse a ser necessário.

Não tendo enfim a combater senão comigo, mal podia desconfiar de todas as minhas fraquezas, nem aprender tudo o que hoje sofro...

Oh! triste de mim! Quanta compaixão mereço, visto não sermos ambos participantes das penas, mas eu só a desgraçada!...

Este pensamento mata-me, e morro de susto de que jamais tenhas sido extremamente sensível a todos os nossos prazeres.

Agora sim, conheço a má fé de todos os teus afectos...

Enganavas-me todas as vezes que me dizias ter sumo gosto de estar só comigo...

Às minhas importunações devo somente os teus desvelos e transportes...

De sangue frio formaste a tenção de me abraçar, e consideraste a minha paixão como um trofeu, sem que o teu coração jamais fosse comovido entranhavelmente...

Não deves tu ser bem infeliz, e ter bem pouca delicadeza, para nunca haver sabido colher outro fruto dos meus enlevamentos?...

E como é possível que com tanto Amor eu não tenha podido fazer-te completamente venturoso?

Lamento, por Amor de ti somente, as deleitações infinitas que perdeste...

Por que fatalidade não quiseste desfrutá-las?...

Ah! se as conhecesses, acharias sem dúvida que são mais sensíveis do que a satisfação de me ter seduzido, e terias experimentado que somos mais felizes, e sentimos qualquer coisa de mais fino mimo em amar ardentemente, do que em ser amados.

Não sei nem o que sou, nem o que faço, nem o que desejo...

Mil tormentos contrários me despedaçam!...

Quem poderá imaginar um estado mais deplorável?...

Amo-te como uma perdida, e modero-me ainda assim contigo, até não ousar talvez desejar-te as mesmas tribulações, os mesmos transportes que me agitam...

Matar-me-ia, ou a não fazê-lo, morreria de dor, se estivesse certa que nunca tinhas repouso, que a tua vida era uma contínua desordem e perturbação, que não cessavas de derramar lágrimas, e que tudo aborrecias...

Eu não me sinto com forças para os meus males, como poderia suportar a dor que me causariam os teus, mil vezes mais penetrantes?...

Contudo não posso do mesmo modo resolver-me a desejar que não me tragas no pensamento, e para falar-te sinceramente, sinto com furor ciúmes de tudo quanto possa causar-te alegria; comover ä teu coração, e dar-te gosto em França.

Ignoro por que motivo te escrevo...

Vejo que apenas terás dó de mim, e eu rejeito a tua compaixão, e nada quero dela;

Enfado-me contra mim mesma, quando faço reflexão sobre tudo o que te sacrifiquei...

Perdi a minha reputação; expus-me aos furores de meus pais e parentes, às severas leis deste Reino contra as religiosas... e à tua ingratidão, que me parece a maior de todas as desgraças...

Ainda assim eu sinto que os meus remorsos não são verdadeiros, e que do íntimo do meu coração quisera ter corrido muito maiores perigos por Amor de ti, e provo um funesto prazer de ter arriscado por ti vida e honra.

Tudo o que me é mais precioso não devia eu entregá-lo à tua disposição?...

E não devo eu ter muita satisfação de o ter empregado como fiz?...

Parece-me até não estar contente, nem dás minhas mágoas, nem do excesso de meu Amor, ainda que, ai de mim! não possa, mal pecado, lisonjear-me de estar contente de ti...

Vivo, e como desleal, faço tanto por conservar a vida, quanto perdê-la!...

Morro de vergonha... acaso a minha desesperação existe somente nas minhas ?...

Se eu te amasse com aquele extremo que milhares de vezes te disse, não teria eu já de longo tempo cessado de viver?...

Enganei-te... tens toda a razão de queixar-te de mim... Ah ! por que não te queixas?...

Vi-te partir; nenhumas esperanças posso ter de mais ver-te. e ainda respiro!... É uma traição...

Peço-te dela perdão.

Mas não mo concedas...

Trata-me rigorosamente.

Não julgues os meus sentimentos veementes...

Sê mais difícil de contentar...

Ordena-me nas tuas cartas que morra de Amor por ti...

Oh! conjuro-te de me dares esse auxílio para poder vencer a fraqueza do meu sexo, e pôr termo às minhas irresoluções, por um golpe de verdadeira desesperação.

Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida, a pensar muitas vezes em mim...

A minha memória te seria cara, e quiçá esta morte extraordinária te causaria uma sensível comoção.

E a morte não é porventura preferível ao estado a que me abaixaste?...

Adeus!

Muito quisera nunca haver posto os olhos em ti.

Ah! sinto vivamente a falsidade deste senti- mento, e conheço neste mesmo instante em que te escrevo, quanto prefiro e prezo mais ser infeliz amando-te, do que não te haver jamais visto.

Cedo sem murmurar à minha malfadada sorte, já que tu não quiseste torná-la melhor. Adeus.

Promete-me de conservar uma terna e maviosa saudade de mim, se eu falecer de dor; e assim possa ao menos a violência da minha paixão, inspirar-te desgosto e afastar-te de tudo!

Esta consolação me será suficiente, e, se é força que te abandone para sempre, desejara muito não deixar-te a outra.

Dize, não seria nímia crueldade a tua, se te servisses da minha desesperação para, pareceres mais amável, mostrando que acendeste a maior paixão que houve no mundo?

Adeus outra vez...

Escrevo-te cartas excessivamente longas, o que é uma falta de consideração para ti: peço-te mil perdões, e atrevo-me a esperar que terás alguma indulgência para com uma pobre insensata, que o não era, como tu bem sabes, antes de amar-te.

Adeus.

Parece-me que demasiadas vezes me dilato em falar do estado insuportável em que estou.

Contudo agradeço-te, do íntimo do meu coração, a desesperação que me causas, e aborreço o sossego em que vivi antes de conhecer-te...

Adeus.

A minha paixão cresce a cada momento.

Ah! quantas cousas tinha ainda para dizer-te!...



in Lettres Portugaises
Tradução de Sousa Botelho, Morgado de Mateus
Sente-se um olhar nas ruelas duma cidade abandonada.
Fantasmas vagueiam de janela em janela
dançam nos telhados

- escombros de memórias.

Reconhecerás a mulher mãe viúva quando ela, parada e silenciosa numa mesa de café, puxa de um cigarro e acende-o?

poses, comportamentos – ditames de personalidade

reconhecem-se os mais nobres seres nos mais simples gestos

um olhar, um sorriso… pequenas lembranças de sacrifícios pela vida!

Aterra-se numa terra distante
Desprendemos a corrente de flores que nos unia pois já não a sinto dançar em meu redor… foi levada até ao expoente da distância e quebrou-se algures que não vivi ainda.

Mostrei o melhor de mim e não quiseste.
Despejei das gavetas o que tinha, escondido para não mais tocar, nas tuas mãos para que me encontrasses… me encontrar em ti, em mim.
Mudei para me poder olhar ao espelho… sei que o fui fazendo sem me aperceber mas ainda não suporto a imagem reflectida.
Abracei angústias por medo de viver, assim onde a razão me sufoca e o sentimento possui.
Que verdades e desafios encontram para que não se entreguem a este tão só?!?...
Deixei tudo o que vi e aprendi para trás onde um dia me deixei levar pela dor… a da saudade…de mim!
Queria o mundo… essa estrela que ilumina o sonho. Manhãs que nos abraçam, ocaso de ilusões. Será o dia a sobreviver à noite ou a noite ao brilho do dia?
Porque me chamas e atrais? Serei a Lua e tu o Sol? Talvez sejas a Terra e eu gravite em teu redor iluminando-te quando me chamas!…
... o quanto te desejei… Estradas que tornei curvas para te acompanhar. Flutuei no rio do sentir… adormeci no equilíbrio de uma cascata esquecida do mundo! Chorei as lágrimas que fizeram o mar… o vento fez-me ave.

Uma tatuagem de sentido… aquele que nomeias no espelho.

Abrimos as janelas da alma com a esperança de que o espírito se liberte.
Quebramos vidros
espelhos de um passado
com o sorriso da liberdade

Escondemos laços de lágrimas que derramamos na triste esperança de que sequem.
É tão estranho aquilo que recordámos


passos e gestos
o riso e prantos
por vezes expressões
momentos cúmplices
mundos que guardámos em nós
semelhantes diamantes que encontramos




A vida…
um tempo sem horas onde o espaço é nosso… aquele em que nos descobrimos, recriámos e nomeámos o mundo.
Que memórias restarão no fim desse tempo?!...
…os momentos em que verdadeiramente sorrimos… em que não existiam correntes e tudo éramos.
O sermos NÓS (o EU) e crescermos com a nossa história e aqueles que dela fazem parte.










vens?!...


pelas madrugadas sentidas. falas desenvolvidas no leito imagem 'transportada'. o sentir (-te)...


[pronuncia... te... esse não numa palavra e.. sermos nos e sempre, como antes (depois). em ignorâncias hipocritas e falsidades (se[/talvez/certamente] passados)... JAMAIS futuros mas ainda assim recordaveis...



abraça-me com o mero..Olhares-me



Ani revota...


contemplando
na berma de vida
um ser surgiu

Porque deixou ele
a sua imagem?

crepúsculo
Mistérios da vida
belo prazer
entorpecido pelas flores
no crepúsculo do adormecer.
demos as mãos e todos os olhos do mundo sobre nós. começamos por não falar e sorrimos apenas numa procura.. caminhámos e caminhámos encostas trilhos naturalmente desenhados para nós.
Era já Verão… os corpos cálidos de ardências. o sol em chama.. e para mim ainda era Primavera. ainda me sentia desflorar para o mundo, essa primeira vez como o choro. e chorei. no instante em que avistámos o que todos procuram incessantes cavaleiros. e só estávamos nós, na imobilidade do espasmo quase orgástico. e permanece ainda em mim uma marca desse momento…

de entre tímidas inocentes perguntas dum conhecer, um ritual que ousamos, apagamos o silêncio dos outros olhares do mundo e ficamos apenas eu e tu
(...)



(...)