abre a tua alma e crescer-te-ão asas

Era já Outono corrido nas árvores que se vão desnudando atempadamente como nós.
Vestimo-nos de castanhos, arriscámos o toque do tronco húmido de ardência.
A nudez ainda tímida, folhas que ainda vestem os corpos timidamente repousados lado a lado num mesmo leito onde as raízes se vão entrelaçando ternamente...
... aromas que envolvem... um arrepio
toque ténue da lingua desnudando o corpo... batidas ofegantes

excitação externamente desenvolvida
esse olhar que penetra e suspira

Por onde deambulam as tuas mãos?
O que ja tocaram?e o que querem ainda descobrir?
... contorno as formas entre as gotas...
sorvo o gosto de cada instante
partilhado
suavemente sigo o calor. deixo-me invadir. gentilmente os labios depositados no decorrer da linha que me leva ao refugio...
sinto vontade das imagens, desejos de reticências
saber-te
conhecer-te
entrar em ti
Beijei a saudade...

neste jardim em que as gotas caem
semelhantes a lágrimas
respiro e em ti penso

fecho os olhos...
o teu sorriso invade-me
o teu calor quando ternamente me abraças

Já reparaste como as árvores parecem mulheres?

este é o meu refúgio...

musicas folhas poemas

os delírios de quem ama
Num belo dia de chuva

Eu Aconteci...

ela abriu as suas pernas
na madrugada de Outono

bela como a deusa
que em si despertava

Brandou aos céus
virgindade dos seios

Juntos... o sol e a lua
todos os passaros
celebraram com os seus cantos.




Obrigada!!
Le Baiser (The Kiss) , Man Ray
Water Serpents I, Gustav Klimt

'A perola branca dos blues'


KOZMIC BLUES
By Janis Joplin and Gabriel Mekler

Time keeps movin' on
Friends they turn away
I keep movin' on
But I never found out why
I keep pushing so hard the dream
I keep trying to make it right
Through another lonely day, whoa

Dawn has come at last
Twenty-five years, honey just in one night, oh yeah
Well, I'm twenty-five years older now
So I know we can't be right
And I'm no better, baby
And I can't help you no more
But I did when just a girl

Aw, but it don't make no difference, baby, no, no
And I know that I could always try
It don't make no difference, baby, yeah
I better hold it now
I better need it yeah
I better use it till the day I die, whoa

Don't expect any answers, dear
Ah I know that they don't come with ease, no, no
Well, ain't never gonna love you any better, babe
And I'm never gonna love you right
So you'd better take it now, right now

Oh! But it don't make no difference, babe
And I know that I could always try
There's a frightened side of everyone of us
You'd better need it now
I got to hold it, yeah
I better use it till the day I die

Don't make no difference, babe, no, no, no
And it never ever will, hey
I wanna talk about a little bit of loving, yeah
I got to hold it, baby
I'm gonna need it now
I'm gonna use it, say, aaaah

Don't make no difference, babe, yeah
Ah honey, I hate to be the one
I said you better live your life
And you better love your life
Or babe, someday you're gonna have to cry
Yes indeed, yes indeed, yes indeed,
Ah, baby, yes indeed.

I said you, you're always gonna hurt me
I said you're always gonna let me down
I said everywhere, everyday, everyday
And every way, every way
Ah honey why do you hold on to what's gonna move
I said it's gonna disappear when you turn your back
I said you know it ain't gonna be there
When you wanna reach out and grab on
Whoa babe, whoa babe, whoa babe
Oh but keep truckin' on
Whoa yeah, whoa yeah, whoa yeah
Whoa, whoa, whoa, whoa, whoa


35 anos depois...
Todas as coisas que vemos, mundos que encontramos
tudo se assemelha a estátuas de histórias que vivem em espasmos de movimento.
Entregámo-nos ao suave despertar do corpo ternamente enlaçado um no outro sem fim. Mantinha-me de olhos abertos a olhar-te e pensar-te… conversas que sabia não conseguir dizer-tas quando acordasses.

«Pega-me nas mãos novamente… leva-as pelo prazer. Deposita no meu corpo o suor da tua alma. Entra no túnel dos sonhos e incendeia o meu espírito.»

O amor, aquele que vi e toquei por instantes, dilui-se agora no vento…
No teu olhar despertei e cresci, renasci das cinzas dos lamentos angustiantes solidões. Quebrou-se o gelo do sentir.

Não descanses novamente o teu espírito no meu peito nem os teus doces lábios na minha boca pois assim não te poderei deixar partir pelo caminho que nos afasta e separa e te leva por uma outra estrada onde um dia, num cruzamento, nos voltaremos a encontrar…
Senti novamente os raios de sol queimarem-me a pele num beijo, o rio erguer-se para mim.
Fecho os olhos e sorvo o néctar que havia estupidamente condenado ao esquecimento.
Descalcei-me e senti novamente o bater da terra, palpitação…O vento apagará o meu rasto com uma lágrima… apenas uma.
Começou um novo dia… inicia-se a hora da loucura e dos excessos, do prazer sem limites… e da dor incontornável de mais um dia que recomeça sempre sempre igual a todos os outros.
Nessa hora permito-me entrar em mim, deambular, perder-me.
Começa a traçar-se a grande representação da noite… e a celebração do dia.
É terrível e tristemente avassaladora a última noite de amor… o último beijo abençoado.
O único mar de prazer e contemplação é aquele que suavemente delineamos em pensamentos.

Cansei-me de esperar. Os olhos doem-me de tanto procurar uns outros. Agora sei que apenas no meu reflexo depositado num espelho de histórias poderei encontrar-me, apenas em mim e para mim poderei encontrar o deserto que me sossega e a águia que anseia levar-me.
Vou… ao sabor do vento na louca procura das pétalas brancas dos teus lábios. Vagueio pelas linhas marcadas nas tuas mãos, monte-de-vénus onde não há tempo… apenas marcas.
Procuro um repouso, um sítio onde me refugiar desse momento que se tornou presente.
Chorei em silêncio, derramei lágrimas no teu colo… as que eram tuas, por ti. Esperava calmamente em desespero esse momento em que renasceria e deixaria para trás as memórias, abriria as portas ao futuro…diferente – em mim, em ti, em nós.
Deixei-me ficar num silêncio que só a mim doía…libertei as últimas gotas salgadas do que um dia foi a vida – a alegria, o sofrimento, a dor, o prazer, a angústia, a traição e solidão – o amor.
Libertei-me desse fardo, belo demais para mim, e depositei-o no teu dorso – o único em que poderia fazê-lo, o que me tinha permitido tudo isso por momentos.
Um raio feriu o sol, trespassou a lua e perdeu-se no percurso infinito misterioso de uma estrela.
Acabei por me desfazer sob a máscara que usei para enfrentar o mundo e a dor da solidão.
E agora, parte dessa máscara, vil e fria, tornou-se o meu rosto e nenhuns olhos – espelhos – poderão seduzir-me e conhecer-me. Parte de mim morreu e irá destilar-se no tempo do esquecimento.
Desejava entrar em ti para saber como me olhas e sentes… o que guardas ao sentires o toque da minha alma.
Que florescesses para sempre nas minhas mãos para que estivesses perto de mim e me sentisses… que voltasses a morder o meu rosto de prazer e expelisses a exaustão do desejo.

A saudade e a solidão assolaram-se e dei-me a ela como a ti. E toda a memória e lembranças estão marcadas na minha boca, rosto, corpo e alma que te entreguei.

Sou tua eternamente…

teu mundo envolvente de ti em segredos e vivências… sombras deslizantes.

Sei que desespero e te desespero…

dói imaginar-te só como a dor de imaginar não estares…
tempo que mata e corrói na batida do coração.

Terei tocado e permanecido em ti como entraste e estás em mim?!...
Partilhamos momentos… intensas vivências. Expusemos o corpo e alma ao sabor do desejo… almejávamos saciar a dor da solidão. Mas toda e qualquer embriaguês deseja prolongar-se… os dias vão passando e a Lua reflecte o teu olhar. sensualidade
Refugiámo-nos demasiado tempo em jogos de desespero e sensualidade… tentávamos enfeitiçar. percorríamos os traços de ambos os rostos e não ousávamos beijar-nos.
Nos olhos o desejo e vontade de nos entregarmos… e as palavras que refreavam os gestos.
Todos os dias me deitava a pensar como seria o sabor dos teus lábios… o calor do teu corpo.
Quanto tempo mais teríamos que nos levar por provocações?!...
Sentir-te tão perto e tão longe… guardo demasiados desejos e ardências na minha alma.
Um ... QUERO-TE
que se transforma na ridicularidade de um corpo

Um ... AMO-TE
cujo desenvolvimento se torna um até nunca na forma mais simplista!

Distante
a memória e a lembrança
solidão
sentida inúmeras vezes que até nos perdemos nos seus recantos e ousámos deixá-la para os outros com quem estivemos

dei-te
no meu olhar e ausência
o espaço na minha alma dormente de dor e angústia

As palavras ou a sua inexistência ferem como lâminas
gumes com que nos cortamos e despojamos perante um outro.
A noite é só mais um retrato da tua ausência.

Desejei o corpo e perdi a alma.
Uma vez mais deixamo-nos levar pela linguagem… rudes palavras… para não mais vivermos o silêncio do sentir.
Agora já nem as palavras persistem e o silêncio… que outrora amávamos enquanto nos amamos… perdeu-se no tempo.





o meu corpo arde em feridas que não sei descrever... um aroma, uma cor...
uma rosa branca






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