abre a tua alma e crescer-te-ão asas

Esperei o vento para sentir o teu cheiro
Desejei que me sussurrasses novamente Amo-te
Dispo o orgulho e espero-te



Libertei o teu nome
E só então percebi
Que me prendera na espera
De te ouvir pronunciar o meu
Era já noite nessa chuvosa Primavera.
Aconchegamo-nos no tapete que compraramos nessa tarde.
Abrimos o vinho guardado para o momento, esse ao som do piano
das mãos vorazes de movimento, gestos nas teclas de uns dedos que conhecem a pauta.
Fechei os olhos por momentos, garantia de que estavas, que tocavas o som do meu corpo.

fui...



Seja como for, dê por onde der em todos e qualquer um…
Uma questão existe e é tão simples como Onde estou?
Valerá o teu sofrimento por mim?
Quererei eu que me perguntes?
Um dia aguardei a questão, essa que não me puseste…
Hoje imagino-me no vento, mas não procuro o que nele perdeste. Procuro sim, o que nele depositaste de mim, em ti, esse, vento.
Fotografia Cristiana Gaspar

25... sem mais palavras

todas serão poucas...

ouvimo-nos
e quantas vezes nos deixamos levar
pelos caminhos de ridiculas esperanças
de mensagens no vento...
desenhos nas nuvens
para que te lembres de mim

sons que inventei dando-me a ti

visões, imagens...

assim
para quê seguirmos numa perseguição de palavras...

muitas, inumeras vezes não temos uma razão para a impaciência e/ou cansaço.

surgimo-nos velhos e deixamo-nos ir... como este recanto que vislumbramos e não sabemos onde nos leva ... muito menos nos diz onde queremos ir.
um apenas
sentido
vou.

Não sera o verão feito do calor do nosso pensamento...
do 'borbulhar' de ideias, pensamentos
da acidez de querer
da amargura do desejo que nos consome como as gotas salgadas que exalamos do corpo

essa Brisa que procuramos
intensa

mas cuja vontade é de calma

Usamos a frescura em devaneio

e... cansamo-nos...
do sal que bebemos...
dos escaldantes momentos que depois doem...
das palavras humidas que julgavamos aquecerem-nos depois do calor passar...



... mas não passa


pensamento

ideias

o ser.
Foto web

Parámos à porta da meretriz...

Os românticos celebravam
as formas elementares
da Natureza

Jogos imaginários
de hipótese

De novo a Natureza
a imitar a arte

sente-se orgulhosa de si mesma
à medida que se exibe

A manhã
de sandálias prateadas
surge...
A música possui-nos.

E assim

Fotografia de Cristiana Gaspar *



Fui possuída invadida abraçada extasiada pela respiração ofegante calma intensa de uma mulher…

Aqui

Fotografia de Cristiana Gaspar *





* Palácio de Cristal, Parque del Retiro, Madrid
Exposição: Kimsooja “ To Breath- A Mirror Woman (Respirar- Una mujer espejo)”
Exaurímo-nos pela calçada de manhãs infundas de braços, olhares, mares que nos aclamam. Amanheceste coberta de sal da viagem que te prometera. Buscava-te num tímido gesto. Acariciava-te os cabelos entrelaçados nos lençóis e chamava-te Minha.

Assim me falaste um dia, nesses de chuva que contemplávamos ao som do amor. E falávamos muito através da ilusão...

1 Ano




De entre ausências presentes, te observo, penso, acarinho.
A quem pela perfeita ilusão se ilude... obrigada!

E ... nos tempos de espaço espaçados cruzamo-nos